Blog dedicado aos assuntos do dia-a-dia, de uma mulher que vive cada dia intensamente, se dedicando ao trabalho, família, amor, corpo, saúde e etc, sem reclamar de como a vida por vezes pode ser difícil. Também será um cantinho para resenhas de livros, seriados, filmes, aplicativos, tecnologias e programas que fizerem parte da minha rotina. Claro que como uma grande apaixonada por fotografia também trarei alguns cliques para deixar esse ambiente mais charmosinho ...
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Sim, eu tenho medo!
Há algumas semanas venho percebendo que minha volta pra casa de ônibus, tem sido tensa.
E comecei a reparar que não é apenas enquanto estou no ônibus que rola a tensão.
Nãoooooo.
É um longo processo ...
Acordo e já lembro que mais tarde vou pegar o ônibus pra voltar pra casa.
Passo o dia com essa tensão na cabeça.
Quando chega o momento, não consigo relaxar enquanto não entro na minha casa.
E piora ...
Fim de semana, uhu, vamos sair? Não, tenho medo de pegar ônibus.
Mas como assim? Se eu não tiver como voltar de Uber eu não saio.
E como tudo isso começou ...
Bom, de uns dois meses pra cá comecei a me sentir muito triste e desanimada por conta de assuntos sentimentais que me aconteceram (e que talvez valham um outro post) e como boa mulher e princesinha moderna declarei a mim mesma: vou tirar isso de letra!
Não chorei.
Não gritei.
Não desci no box do banheiro chorando ouvindo Marília Mendonça.
Não saí com as amigas e tomei um porre.
Nada.
Apenas senti falta do fulano.
Falta de tudo, desde o bom dia até a forma carinhosa como ele me chamava.
E aí sem eu perceber a tristeza dominou meu ser.
Perdi vontade de tudo e de todos, porque sim, existiam boys querendo-me, mas eu não queria porque meu coração machucado era de outro.
Quase uma novela mexicana.
Mas o fato é, essa tristeza não curada, mexeu com psicológico e me fez ficar suscetível a qualquer coisa.
Comecei a viajar para São Paulo algumas vezes nas semanas e até aí tudo certo.
Numa sexta-feira que estava no Rio, soube de um assalto ao ônibus que sempre pego e que passou um pouco antes do que eu estava.
Foram relatos de momentos terríveis e só em ouvir voltei pra casa tremendo.
Desse dia em diante nunca mais entrei naquele ônibus em paz.
E nunca mais tive dias de paz.
Até testei a volta pra casa de metrô, para assim evitar o ônibus. Não foi ruim mas vou em pé pra casa e ando por um local com alto índice de assaltos para chegar em casa.
Hoje, depois de algumas semanas tomei coragem, não senti medo e peguei meu ônibus.
Estava tudo indo bem, até que duas jovens sentaram próximas a mim e começaram a relatar algum assalto que ocorreu na linha de ônibus em que estávamos e as moças estavam nitidamente com medo, pânico talvez.
Todo passageiro que entrava elas se assustavam.
Teve um que fez uma das meninas levar um susto e sentir dor no coração.
Elas estavam falando em colocar o celular no seguro e que já estavam se acostumando com a ideia de perdê-lo.
Elas me deixaram com medo, e vi que o nível de medo delas era maior que o meu.
Não tenho medo de perder algo, tenho medo de vivenciar essa situação dentro de um ônibus, onde não sabemos o que pode acontecer.
Medo não, tenho pânico só de imaginar.
Voltei pra casa com a cabeça explodindo e percebendo que o pânico está assolando um número bem maior de pessoas do que eu pensava.
Quando é com a gente, a gente acha que pode ser besteira, mesmo eu já estando em busca de ajuda.
Senti vontade de conversar mais com aquelas meninas e entender melhor o que elas estão passando, mas elas estavam tão apreensivas que não quis mexer com eles e não quis colocar mais histórias sobre o assunto na minha vida.
E é isso ...
Nossa Cidade Maravilhosa e cada vez mais insegura está nos deixando com síndrome do pânico e quem vai pagar essa conta?
Deixo essa pergunta!
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